Archive for the 'piyadassi' Category

Nov 25 2009

O Médico Ímpar

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O Buddha também é conhecido como o médico ímpar (bhisakko), o cirurgião supremo (sallakatto anuttaro). É, de fato, um curador sem igual.

O método de exposição do Buddha das Quatro Nobres Verdades é comparável ao de um médico. Como um médico, primeiro ele diagnosticou a doença, depois descobriu a causa do surgimento da doença, então considerou sua remoção e por fim aplicou o remédio.

O sofrimento (dukkha) é a doença; o apego (tanha) é o surgimento da causa-raiz da doença (samudaya); através da remoção do apego, a doença é removida, e essa é a cura (nirodha-nibbana); o Nobre Óctuplo Caminho (magga) é o remédio.

A resposta do Buddha ao brahmana que desejava saber porque o Mestre é chamado de Buddha claramente indica que não era por nenhuma outra razão além das Quatro Nobres Verdades. Aqui está a resposta do Buddha:

Soube o que devia ser sabido,
Cultivei o necessário cultivo,
E o que devia abandonar isso deixei ir.
Portanto, ó
brahmana , sou o Buddha –
Pois Aquele que Despertou eu sou
” [1]

Com a proclamação do Dhamma pela primeira vez, com o ato de colocar em movimento a Roda do Dhamma e com a conversão dos cinco ascetas, o Parque das Gazelas em Isipatana tornou-se o berço da Dispensação do Buddha (sasana) e da sua Comunidade de Monges (sangha). [2]

[1] Sutta-nipata v. 558; MN. No. 92; Vin i. 245; Theragatha. 828.
[2] Em 273 a.C. o Imperador Asoka foi em peregrinação até esse lugar santo, erigindo uma série de monumentos e um pilar comemorativo com um capitólio de leão. Esse capitólio com seus quatro magníficos leões segurando o Dharma-cakra, “A Roda do Dharma”, está agora no museu de Sarnath, Benares, é a coroa oficial da Índia. O festival do Dharma-cakra ainda acontece no Sri Lanka.

Jawaharlal Nehru escreve: “Em Sarnath, próximo a Benares, quase se pode ver o Buddha pregando seu primeiro sermão e algumas de suas palavras gravadas vêm a mim como um distante eco através de dois mil e quinhentos anos. Os pilares de pedra de Asoka me falam em sua linguagem magnífica e falam de um homem que, embora imperador, era maior do que qualquer rei ou imperador”. (The Discovery of India, p. 44).

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Nov 12 2009

O Bosque de Sinsapa

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A supremacia das Quatro Nobres Verdades no ensinamento do Buddha é abundantemente clara pela mensagem do Bosque de Sinsapa, assim como pela mensagem do Parque das Gazelas.

Uma vez o Bem Aventurado vivia em Kosambi (próximo a Allahabad) no Bosque de Sinsapa. Então, reunindo algumas folhas de sinsapa em sua mão, o Bem Aventurado dirigiu-se aos monges:

Quais vocês acham, monges, que é maior em quantidade, esse punhado de folhas de sinsapa que reuni ou as que estão na floresta?”

“Não são muitas, venerável senhor, poucas são as folhas reunidas pelo Bem Aventurado, e muitas as folhas na floresta”.

“Assim, monges, muitas são as coisas que percebi mas não lhes declarei; poucas as que declarei. E por que, monges, não as declarei? Elas, monges, não são importantes, não são essenciais para uma vida de pureza, não levam ao repúdio, à imparcialidade, à cessação, à tranqüilidade, à completa compreensão, à completa iluminação, ao Nibbana. É esse o porquê, monges, de não serem declaradas por mim.

E o que, monges, é o que declarei?
Isto é sofrimento – isso declarei.
Este é o surgimento do sofrimento – isso declarei.
Esta é a cessação do sofrimento – isso eu declarei.
Este é o caminho que leva à cessação do sofrimento – isso eu declarei.
E por que, monges, declarei essas verdades?

Elas são, de fato, úteis, essenciais à vida de pureza, elas levam ao repúdio, à imparcialidade, à cessação, à tranqüilidade, à completa compreensão, à completa iluminação, ao Nibbana. Isso é o porquê, monges, de declará-las. Portanto, monges, um esforço deve ser feito para perceber: ‘Este é o sofrimento, este é o surgimento do sofrimento, esta é a cessação do sofrimento, este é o caminho que leva à cessação do sofrimento’” [1].

O Buddha enfaticamente disse: “Uma coisa eu faço conhecida: o sofrimento e a cessação do sofrimento” (dukkham ceva paññapemi, dukkhassa ca nirodham) [2]. Compreender esse dito inequívoco é compreender o Buddhismo, já que todo o ensinamento do Buddha não é nada mais do que a aplicação desse princípio. O que pode ser chamado de a descoberta de um Buddha são apenas essas Quatro Nobres Verdades. Esse é o ensinamento típico dos Buddhas de todas as eras.

[1] SN. v. 437.
[2] MN. 22; I, 140.

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Oct 27 2009

O Caminho do Meio

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Numa lua cheia de julho, 528 anos antes de Cristo, ao fim da tarde, no momento em que o sol se punha e simultaneamente a lua cheia subia, no sombreado Parque das Gazelas em Isipatana, o Buddha dirigiu-se a eles:

Monges, estes dois extremos não devem ser cultivados pelo recluso. Quais dois? Indulgência sensual, que é baixa, vulgar, mundana, ignóbil e que conduz ao dano; e a auto-flagelação, que é dolorosa, ignóbil e conduz ao dano. O Caminho do Meio, monges, compreendido pelo Tathagata, evitando os extremos, dá visão e conhecimento, e leva à calma, à realização, à iluminação e ao Nibbana. E o que, monges, é esse caminho do meio? É o Nobre Caminho Óctuplo, nomeadamente: Compreensão Correta, Pensamento Correto, Linguagem Correta, Ação Correta, Modo de Vida Correto, Esforço Correto, Vigilância Correta e Concentração Correta”.

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Sep 15 2009

O Primeiro Sermão

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1SermãoEnquanto o Bem-Aventurado vivia em solidão este pensamento lhe ocorreu: “O Dhamma que percebi é profundo, difícil de ver, duro de compreender, pacífico e sublime, está além do mero raciocínio, é sutil e inteligível aos sábios. Mas esta geração se delicia, diverte e regozija nos prazeres sensuais. É difícil para esta geração ver esse condicionamento, essa originação dependente. Duro também é que veja o acalmar de todas as coisas condicionadas, a desistência de toda substância do vir-a-ser, a extinção do apego, a imparcialidade, a cessação, o Nibbana. E se eu ensinasse o Dhamma e outros não me compreendessem, isso seria cansativo e uma vexação para mim” [1].

Refletindo assim ele foi a princípio relutante em ensinar o Dhamma, mas sondando o mundo com seu olho mental, ele viu seres com um pouco de poeira nos olhos e com muita poeira nos olhos, com faculdades aguçadas e faculdades obtusas, com boas qualidades e ás qualidades, fáceis de ensinar e difíceis de ensinar, alguns alertas para os perigos de presentes malefícios, e outros não. O Mestre então declarou sua prontidão para proclamar o Dhamma neste pronunciamento solene:

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Sep 08 2009

Originação Dependente

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rodaPor uma semana imediatamente após a iluminação, o Buddha sentou-se aos pés de uma árvore Bodhi, experimentando a suprema graça da emancipação. Ao fim dos sete dias ele emergiu daquela concentração (samadhi) e na primeira vigília da noite refletiu sobre a Originação Dependente (paticca-samuppada) na ordem direta (anuloma) assim:

Quando isto é, aquilo vem a ser; com o surgimento disto, aquilo surge; nomeadamente: dependente da ignorância, formações volitivas ou de kamma; dependente de formações volitivas, consciência (renascida); dependente da consciência, mentalidade-materialidade (combinação mental e física); dependente da mentalidade-materialidade, a base sêxtupla (os cinco órgãos dos sentidos físicos tendo a consciência por sexto); dependente da base sêxtupla, contato; dependente do contato, sensação; dependente da sensação, ânsia; dependente da ânsia, apego; dependente do apego, o processo de vir-a-ser; dependente do processo de vir-a-ser, vem o nascimento; dependente do nascimento surgem a velhice e a morte, tristeza, lamentação, dor, desgosto e desespero. Assim toda a massa de sofrimento surge”.

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Jul 04 2009

Interpretações incorretas

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Há quem se compraza em fazer do Buddha um não-humano. Eles citam uma passagem do Anguttara Nikaya (II, 37), traduzem-na erroneamente e a interpretam incorretamente. A história é esta:

Uma vez o Buddha estava sentado sob uma árvore em postura meditativa, seus sentidos calmos, sua mente quieta, tendo atingido o controle supremo e a serenidade. Então um brahmana, de nome Dona, aproximou-se do Buddha e perguntou:

“Senhor, és um deus, um deva?”
“Não, brahmana”.
“Senhor, és um anjo celestial, um gandhabba?”
“Não, brahmana”.
“Senhor, és um demônio, um yakkha?”
“Não, brahmana”.
“Senhor, és um ser humano, um manussa?”
“Não, brahmana”.
“Então, senhor, o que és?”

Agora compreenda a resposta do Buddha cuidadosamente:

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Jun 27 2009

O Triunfo Final

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De pernas cruzadas ele se sentou sob uma árvore, que mais tarde se tornou conhecida como a árvore Bodhi, a “Árvore da Iluminação” ou “Árvore da Sabedoria”, às margens do rio Nerañjara, em Gaya (agora conhecido como Buddhagaya), fazendo o esforço final com uma resolução inflexível: “Embora apenas minha pele, tendões e ossos permaneçam, e meu sangue e carne sequem e murchem, ainda assim nunca me erguerei deste assento até alcançar a iluminação completa (samma-sambodhi)”. Assim era ele, infatigável no esforço, perseverante na devoção e resoluto em perceber a verdade e alcançar a completa iluminação.

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Jun 20 2009

Autoflagelação

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Havia e ainda há na Índia uma crença entre muitos ascetas de que a purificação e a libertação final podem ser alcançados por rigorosa autoflagelação, e o asceta Gotama decidiu testar a verdade disso. Então lá em Uruvela ele começou uma luta determinada para subjugar seu corpo na esperança de que sua mente, liberta dos grilhões do corpo, pudesse voar às alturas da libertação. Bastante zeloso foi nessas práticas. Ele vivia de folhas e raízes, num racionamento cada vez mais reduzido de comida; vestia trapos de panos empoeirados; dormia entre cadáveres ou em camas de espinhos. O pauperismo completo de nutrientes o deixou fisicamente lastimável. Diz o Mestre: “Rigoroso fui em minha disciplina ascética. Rigoroso além de todos os outros. Como caniços inúteis e murchos tornaram-se meus membros…” Em palavras como essas, nos anos posteriores, tendo alcançado a completa iluminação, o Buddha deu a seus discípulos uma impressionante descrição de suas penitências prévias” [1].

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Jun 08 2009

A Grande Renúncia

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No silêncio daquela noite enluarada (era lua cheia de julho, Asalha) pensamentos tais como estes surgiram a ele: “A juventude, o vigor da vida, termina com a velhice e os sentidos do homem lhe falham quando são mais necessários. Os fortes e saudáveis perdem o vigor e a saúde quando a doença subitamente se infiltra. Finalmente vem a morte, súbita talvez e inesperada, e põe fim a este breve período de vida. Seguramente deve haver uma escapatória dessa insatisfação, do envelhecimento e da morte”.

Assim, a grande intoxicação da juventude (yobbana-mada), da saúde (arogya-mada), e da vida (jivita-mada) o deixaram. Tendo visto a vaidade e o perigo das três intoxicações, ele foi sobrepujado por um poderoso impulso de buscar e conquistar a Não-Morte, esforçar-se para se libertar da velhice, doença, miséria e morte não apenas para ele mas para todos os seres que sofrem (incluindo sua esposa e seu filho) . Foi sua profunda compaixão que o levou à jornada que culminou na iluminação, no estado de Buddha. Era a compaixão que agora movia seu coração rumo à grande renúncia e abria para ele as portas da gaiola dourada de seu lar. Foi a compaixão que tornou sua determinação inabalável mesmo em seu olhar de despedida para sua querida esposa, adormecida com o bebê em seus braços.

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May 04 2009

Quatro Visões Significativas

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Quando o príncipe cresceu, o desejo fervoroso de seu pai era que o filho se casasse, constituísse família e se tornasse seu digno sucessor, já que frequentemente voltava à sua mente, com terror, a predição do sábio Kondañña, e assim temia que o príncipe um dia desistisse de seu lar pela vida errante de um asceta. De acordo com os costumes daquela época, já aos dezesseis anos o príncipe foi casado com sua prima, a bela princesa Yasodhara, a única filha do rei Suppabuddha e da rainha Pamita dos koliyas. A princesa tinha a mesma idade que o príncipe.

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