A Importância da Conscientização

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~ por Godwin Samararatne ~

Gostaria de dar as boas vindas mais uma vez a todos vocês. Como no dia de ontem, darei uma palestra e, então, teremos uma discussão, meditaremos e terminaremos com alguns cânticos. O tema da palestra de hoje é “A Importância da Conscientização”, que é algo muito muito importante para a prática meditativa. Estou muito feliz de ver que alguns de vocês estão lendo a pequena brochura que trouxemos hoje a respeito do Satipatthana Sutta, a qual trata da prática da vigilância. É também muito agradável ver alguns meditando.

Ausência de vigilância ou conscientização: Tornamo-nos máquinas.

Ontem, sugeri que vocês fizessem um esforço para praticar um pouco de vigilância no dia de hoje, de modo que o que eu vou dizer fará sentido na experiência de vocês. Se não praticarmos a vigilância ou a conscientização, ocorrerá que nos tornaremos mais e mais como máquinas. Nós faremos as coisas mecanicamente, por hábito, repetitiva e automaticamente. Creio que nesse mundo moderno há muitos tipos de tecnologia e máquinas, de maneira que, eu creio, de certo modo, os seres humanos estão se tornando cada vez mais como máquinas, automáticos. Fazendo isso, nós nos esquecemos da realidade, da arte de viver.

E é realmente deplorável que, ao se tornarem cada vez mais como máquinas, os seres humanos também estão perdendo a importância dos sentimentos. Assim, quando os seres humanos não se dão conta do aspecto muito importante dos sentimentos neles mesmos, eles não podem sentir amor por si mesmos nem pelos outros, eles não podem sentir cordialidade por si próprios e pelos outros. Talvez isso me permita explicar por que há tanta violência no mundo moderno. Nós nos tornamos mais e mais violentos conosco e em relação aos outros, e tudo isso está relacionado com a ausência de conscientização, com a ausência de saber o que há em nossa mente e em nosso corpo. Esse é então o primeiro ponto que gostaria de fazer acerca da importância da vigilância ou conscientização.

A Experiência do Momento Presente

Outro aspecto importante da observação vigilante é que nos ajuda a ter a experiência do momento presente, o ‘aqui’ e o ‘agora’. De certa forma é engraçado pensar que na maior parte do tempo durante o nosso dia, nós, ou vivemos no passado sobre o que já se passou, ou vivemos no futuro sobre o que vai acontecer. O passado e o futuro não são reais, somente o presente é real, então isso nos mostra que os seres humanos, por causa da falta de conscientização, vivem num mundo irreal que não corresponde à realidade.

Para tornar isso claro, deixem-me dar um exemplo sobre o que está a acontecer agora. Fisicamente vocês podem estar aqui presentes, até podem estar me vendo, mas mentalmente podem estar em outro lugar. Então, para estarem completamente presentes, para compreenderem o que eu estou a dizer, vocês têm de estar aqui e agora, têm que estar presentes, caso contrário, como disse, poderão estar fisicamente aqui, mas mentalmente, poderão estar em outro lugar. Um mestre de meditação descreve a sua prática como: “Quando eu como, eu como, quando eu caminho, eu caminho, quando eu durmo, eu durmo”. As palavras soam muito simples, mas isso significa que ele, na maior parte do tempo, está presente com aquilo que está a fazer naquele momento.

Surge então uma questão interessante: o que é que ele quer dizer quando diz “quando eu durmo, eu durmo”? Uma interpretação disso é que mesmo quando estamos a dormir, com os sonhos que nós vemos, estamos de uma forma meio acordados. Então, não estamos realmente a experimentar o sono profundo. No entanto para a maior parte de nós, quando estamos acordados durante o dia, o que é que acontece? Estamos meio adormecidos! É a isso que chamamos ‘viver’.

Então, se querem realmente começar a viver, têm de desenvolver esta qualidade muito importante de estar presentes, alertas e despertos. É por isso que Buddha é chamado de ‘Totalmente Desperto’. Toda a prática da meditação e da observação vigilante é um modo de despertar a mente, despertando a natureza de Buddha que existe em nós. Quando despertamos essa natureza de Buddha em nós, a qualidade de nossa vida torna-se muito diferente.

No entanto, tenham atenção de que estar no presente não significa que não tenhamos de usar o que consideramos como passado e futuro. Às vezes temos de fazer planos em relação ao futuro. Se não tivéssemos planejado o futuro, não estaríamos hoje aqui presentes. E se esquecêssemos o passado não seríamos capazes de voltar para casa. Assim, o que é importante compreendermos é que através da conscientização seremos capazes de ver por nós próprios de que maneira estamos a usar o passado e o futuro.

Os psicólogos dizem que, por vezes, a depressão e a tristeza são devidas ao modo como nos relacionamos com o passado e à ansiedade em relação ao futuro. Então, aqui também com a conscientização, precisamos perceber como usar o passado e o futuro consciente e deliberadamente, e noutras ocasiões, estar presente no aqui e no agora.

Utilizem a Conscientização na Vida Diária

Relacionado com isso, existe algo a que dou muita ênfase e considero muito importante. É a utilização da conscientização na vida do dia a dia. Mesmo pequenas coisas como o escovar os dentes, pentear o cabelo, beber, comer. Como disse antes, nós fomos habituados a fazer estas coisas como máquinas. Assim, se puderem realmente aprender a praticar a conscientização, a observação vigilante no dia a dia, então a meditação torna-se num modo de viver. Eu vivo num centro laico de meditação no Sri Lanka. O que enfatizamos em nosso centro é: como integrar a vida diária, como integrar a sua vida vulgar com a meditação. De outro modo o que acontece é que a vida é uma coisa, meditação é outra. Então, se vocês são realmente sérios acerca da prática, a meditação tem de ser um modo de viver. Quando vocês estão lendo o texto que estamos a distribuir hoje e o texto que menciona a prática da conscientização, vocês estarão vendo o Buddha dizendo-nos para ser vigilantes da maioria das coisas que nos acontecem durante o dia. Vocês ficarão surpreendidos de ler que o Buddha diz que mesmo quando estamos no banheiro devemos estar vigilantes, estar atentos, estar conscientes do que está acontecendo no banheiro. Eu chamo a isto a ‘meditação do banheiro’. Por vezes, quando visito algumas casas ricas e quando vou aos seus banheiros vejo muitos livros, revistas e coisas assim. Dessa forma, eu sugeriria que, na próxima vez, que estejam no seu banheiro, vocês vejam de outra forma, se vocês podem ser apenas conscientes, apenas estar presentes enquanto estão no banheiro.

Outro aspecto muito importante é sobre o comer. Fazemos tanta coisa com o propósito de comer, mas será que realmente comemos conscientemente? A vigilância está presente enquanto vocês estão se alimentando? Vocês estão conscientes do que estão degustando? Estão atentos ao que estão mastigando? Aqui, a mastigação é outro aspecto bastante importante. Se puderem fazer um esforço de mastigar a comida conscientemente, perceberão a diferença durante a refeição. Ao refletir sobre isso, notarão que a meditação está relacionada a coisas ordinárias, sem nada de especial ou extraordinário. Alguns têm a idéia errônea de que a meditação é ter alguma experiência especial ou extraordinária. Mas ao considerarmos algumas técnicas de meditação vemos que são coisas ordinárias, coisas simples como estar conscientes da respiração, ou ao andar ou ao comer. Então meditação é algo simples e prático, onde ao fazermos coisas comuns com consciência estas se tornam coisas extraordinárias. Se puderem agir dessa forma com essas coisas ordinárias, então perceberão que mesmo para as coisas ordinárias é possível fazê-las como se fosse pela primeira vez.

Quando vocês olham para as outras pessoas, vocês conseguem vê-las como se estivessem as vendo pela primeira vez? Conseguem ter uma relação consigo próprios como se fosse o primeiro momento que fizessem isso, sem imagens e julgamentos do passado sobre nós mesmos e os outros? Será possível ver uma árvore, uma flor ou uma imagem do Buddha como se fosse pela primeira vez? Por favor, tentem e verão que a qualidade daquilo que estamos vendo é tão diferente, isso se torna vívido, leve e inocente.

Existe um livro muito importante, conhecido como ‘Dhammapada’. Nesse livro se diz que se não estiverem despertos, atentos e vigilantes, vocês são como alguém que está morto. Algo como ser uma pessoa morta e uma máquina ao mesmo tempo.

Explorem e Investiguem a Experiência Desagradável

Outra aspecto muito da conscientização é aprender a explorar, investigar com conscientização nossas experiências desagradáveis. Há um belo símile que gosto bastante e que está presente em um dos textos buddhistas. Ele compara um médico cirurgião que está tentando operar. Então este cirurgião deve descobrir onde operar, onde a ferida está. Para isso ele deve usar um instrumento e com ele encontrar qual é o problema. Aí, então, com sua faca ele o corta, ele o cura, ele o sana. O que este símile diz é que com a conscientização nós podemos explorar, investigar, descobrir. E com sabedoria podemos trabalhar com o problema que encontramos.

Na vida diária, temos problemas como raiva, ansiedade, medos, tristeza, culpe, e assim por diante, de forma que tudo isso realmente nos causa sofrimento. Como o instrumento do cirurgião, podemos descobrir, explorar, experimentar com eles. E uma vez explorado, vocês descobrirão que estavam criando os problemas. E verão que podem usar a sabedoria para se livrarem deles. Podem usar a sabedoria para entender o que está acontecendo em nossa mente e corpo. Assim por meio desse entendimento, podemos efetivar uma mudança ou mesmo trabalhar com eles, investigá-los e explorá-los. Aquela experiência desagradável se torna ela mesma um objeto de meditação.

Assim, por favor, compreendam que a meditação não é sempre ter experiências prazerosas e positivas. Na realidade, as experiências desagradáveis não criam problemas para nós, a menos que, claro, nos identifiquemos com elas. Mas o desafio real que temos é também aprender como trabalhar com tais experiências desagradáveis, como trabalhar com a dor física, como trabalhar com a dor mental. Isto é muito mais importante que apenas vivenciar experiências prazerosas e positivas.

Eu darei uma palestra distinta sobre as emoções buscando relacioná-las com nossa cultura. Quais são as emoções que lhes incomodam? Quais são as emoções que criam sofrimento a vocês? Apresentarei ferramentas, indicando modos de trabalhar com estas ferramentas usando a meditação.
Temos que devo parar agora. Toquei alguns aspectos importantes da vigilância e da conscientização. Como no dia de ontem, gostaria de ouvir perguntas, especialmente aquelas que são práticas e relacionadas com suas vidas.

Perguntas & Respostas

Participante: Quando percebemos o surgimento da emoção, como a raiva, quem exatamente observa essa raiva?

Godwin: Isto é uma coisa bonita, a qualidade de conscientização. Então, com esta qualidade de conscientização nós podemos saber: “Ah, agora estou com raiva e agora estou com medo e agora não tenho mais medo”. Então, este é o ponto que estou tentando mostrar: se não há essa conscientização, vocês não sabem o que está acontecendo em suas mentes, e assim, por esse conhecimento, podemos entender, e com isso desenvolvermos a sabedoria para alcançar o domínio sobre o que está acontecendo em nossas mentes. E isso pode ser uma ferramenta muito poderosa.

A questão que vocês precisam saber é quem está observando a raiva. Isto é, por si só, um campo de investigação muito importante. É o tipo de coisa que pode ser uma técnica muito poderosa. Quando estiverem com raiva, quando sentirem medo, quando tiverem dúvidas, façam-se a pergunta: “Quem está passando por isso?”. E quando realmente investigarem profundamente, perceberão que não há ‘alguém’ para além daquilo que vocês estão experienciando. Então, perceberão que esses estados mentais surgem e desaparecem devido a certas condições, mas temos um senso de proprietário, e por isso dizemos: “Esta é a minha raiva, meu medo, minha alegria, minha tristeza”. Assim, esta questão sobre ‘quem’ nos ajuda a perceber que não há proprietário, mas apenas as condições para o surgimento e as condições para a cessação. Este é o aspecto mais profundo dos ensinamentos do Buddha.

Participante: Quando vemos nossos próprios filhos fazendo algo errado nós ficamos zangados, mas não ficamos zangados se vemos outras crianças fazendo algo errado, e o mesmo se aplica para nossas esposas ou maridos. Então, é correto dizer que devemos ficar zangados com todas as coisas erradas que vemos? Ou que atitude deve ser considerada para lidar com esta situação?

Godwin: Ótimo questionamento. Muito bom que perceberam que vocês ficam zangados apenas quando seus filhos se comportam de uma determinada maneira, ou apenas quando suas esposas se comportam de uma determinada maneira, enquanto outras crianças podem se comportar de qualquer forma. Com isso fazem uma importante constatação. E a importante constatação é, como eu disse antes, pessoas com quem nós nos identificamos, pessoas que pensamos serem nossas, devem se comportar de determinada maneira, as demais pessoas podem se comportar de qualquer outra forma. Podemos até levar a questão mais adiante. Quando seus filhos estão doentes, vocês ficam tristes. Quando o filho do vizinho está doente, não há problema. Quando a mãe de vocês morre, tristeza. Quando a mãe de um amigo morre, não há problema. Não somos engraçados?

Desta forma, quando vocês se questionam sobre isso: “por que eu estou agindo assim?”, vocês percebem que temos este senso de posse. Isto é meu. Isto me pertence. E para o que nos pertence, apenas o que esperamos deve acontecer, para os outros, não há problema. Então, a prática real novamente, a real e profunda prática é: podemos ver tudo tanto quanto possível sem o senso de posse? Podemos nos relacionar com o sofrimento seja qual for a forma como ele surja? O sofrimento pode ser com os seus filhos, pode ser com o filho do vizinho, pode ser com qualquer um. Isto é bondade amorosa real.

Falarei sobre bondade amorosa e então distribuiremos um importante livro sobre bondade amorosa. Neste livro é dito que a melhor forma, a mais nobre forma, é como uma mãe tendo afeição para o seu único filho. Se pudermos nos relacionar com todo o mundo deste modo, não seria esta uma linda forma de viver? Há uma expressão bonita a este respeito: infinita compaixão, compaixão na qual não há limites, na qual não há divisão.

Assim, vagarosa, suave e gradualmente, isto é o que temos que desenvolver, cultivar as qualidades do coração. Falarei mais sobre isso quando falarmos sobre bondade amorosa que eu enfatizo muito. Como disse antes, atualmente os seres humanos estão perdendo estas qualidades do coração. Então, é muito importante para nós, ao menos, sabermos disso e fazermos um esforço para abrir nossos corações para nós próprios, para que ele possa ser aberto para os outros.

Participante: Durante minha meditação às vezes fico um pouco confuso. Parece que estou observando meus pensamentos ou minha própria mente, e adquiro a percepção do que estou pensando. Agora, você pode nos dizer se essa é a direção correta: observar a mente, no que ela está atuando?

Godwin: Conforme disse antes, você pode afirmar que é a vigilância ou a conscientização que nos ajuda; ou você pode afirmar que é a mente observando a mente. Mas o que é importante não é o modo de se entender, mas sim a prática do olhar, a prática da observação, a prática da vigilância, isto é mais importante que a questão teórica: será que é a mente observando ou a vigilância que está observando? O que é importante é desenvolver esta qualidade do estado de alerta, de vigilância, do estar desperto, de saber o que está acontecendo, isto é importante. Portanto, após o debate, vamos tentar praticar isto.

Participante: Você disse anteriormente que nós fazemos as coisas mecanicamente. Posso observar que sou uma máquina, mas não quero ser uma. Por exemplo, o café da manhã. Eu tomo o mesmo café da manhã diariamente e sei que estou agindo como uma máquina. Como não nos comportaríamos como uma máquina mesmo observando o fato que estamos agindo como uma máquina?

Godwin: Fico contente que o amigo Peter tenha perguntado isso. Uma pergunta importante e prática: Como começar o dia com o café da manhã? Darei algumas sugestões práticas de como se relacionar com tal situação sem ser como uma máquina. Sei que você tem pouco tempo para o café da manhã, mas mesmo com esse curto tempo, por favor, tente amanhã, quando tomar o café da manhã, praticar estas coisas:

Quando você vê a comida na mesa, podem ser frutas, pão, qualquer coisa, passe alguns minutos vendo aquilo como se fosse a primeira vez. Olhe bem de perto para as frutas e os pães, veja os aspectos diferentes que você observa naquele momento.

Outra bela prática em países buddhistas tradicionais é, antes de comermos, nos sentirmos gratos pelos que prepararam a refeição, ou pelo menos nos sentirmos gratos por poder tomar o café da manhã. Há pessoas neste mundo que não tomam café da manhã. Assim sintam-se gratos por isso. Como sabem, máquinas não podem se sentir agradecidas.

A terceira sugestão, como disse antes, é perceba a diferença, faça um esforço amanhã quando você tomar o café da manhã, observe o tempo que tem e tente mastigar sua comida conscientemente, coma muito lenta e conscientemente. Há uma declaração entre os índios americanos de que eles bebem a comida, ou seja, eles mastigam a comida até virarem líquido. Vocês perceberão que quando mastigam sua comida lenta e conscientemente, não irão querer muita comida, esta é uma descoberta muito importante que poderiam fazer.

Outro ponto muito importante que o Buddha ensinou aos praticantes de meditação foi sobre evitar dois extremos. Vocês sabem quais são esses dois extremos? Um extremo é comer muito e o outro é comer pouco. Então, como saber se estamos comendo a quantidade certa? Essa é uma questão interessante. E como saberemos isso? Ouvindo o corpo enquanto comemos. Se vocês estiverem ouvindo música enquanto comem, vocês não serão capazes de ouvir os seus estômagos. Eu gosto muito dessa frase: ouvir seu corpo, ouvir a si mesmo, ouvir os seus pensamentos, ouvir as suas emoções. Assim, se conseguem tomar o café da manhã desse modo, isso é um maravilhoso começo de dia, e depois, durante o dia, vocês poderão ter esse tipo de conscientização tanto quanto possível. Não é ter o tempo todo, não é ter essa conscientização de momento a momento. Mas, se conseguem ter essa conscientização momento a momento, isso é excelente. Então, como eu disse, vocês estarão vivendo não como máquinas, mas como seres humanos.

Uma última sugestão serve para o final do dia, e é a prática muito boa de revisar o dia e descobrir como passaram o seu dia. Descobrir quando se estava consciente, descobrir quando se estava atento e descobrir quando eram como máquinas. E assim, apenas descobrir quantas vezes ficaram com raiva e também descobrir quando não estavam com raiva, isso é muito importante.

Então, quando fizermos esse tipo de revisão, algumas vezes ficaremos surpresos como fomos boas pessoas. E esse tipo de reflexão, esse tipo de revisão, pode provocar em nós uma autotransformação de um modo muito natural, pois aprendemos a olhar mais e mais para dentro, ao invés de olhar para fora.

Agora nós temos que parar nossa conversa. O que eu gostaria de sugerir é fazer uma pequena pausa e durante essa pausa vocês podem ir ao banheiro, podem andar um pouco, mas como fizemos ontem e como estamos falando sobre observação vigilante, por favor, descubram nessa pausa até onde vocês podem estar conscientes, quão longe podem ser vigilantes sobre o que está se passando na sua mente e corpo. Para fazer esse exercício vocês devem estar completamente silenciosos. Então com uma mente silente, por favor, façam um esforço para obter a idéia do que é a observação vigilante e então quando voltarem, eu irei tentar dar uma meditação guiada na prática da observação vigilante, então isso será um tipo de preparação para a meditação. Muito obrigado. Eu irei tocar o sino em alguns minutos, aí então, por favor, voltem. Continuem a ter essa conscientização, vigilância.

[Pausa]

Para começar, tentamos nos sentir felizes. Sentir felicidade por vocês terem vindo aqui às 7h30 para escutar uma palestra e agora por estarem praticando meditação. Então vamos passar algum tempo agora apenas nos sentindo felizes com nós mesmos, porque temos essa oportunidade para aprender a meditar. Sentindo felizes por estarem tentando desenvolver essa qualidade de observação vigilante, conscientização, de estarem despertos. Tentem sentir essa felicidade na área do seu coração. Vamos agora nos sentirmos gratos por termos essa oportunidade de meditar. Sentir gratidão é uma qualidade espiritual muito importante que vocês podem desenvolver. Conseguimos sentir gratidão por nos sentarmos em completa quietude? E vocês podem se tornar mais conscientes, inteirados de que seu corpo está sentando em completa quietude, completamente relaxado?

Experienciemos agora o que é estar no presente. Conseguem estar em paz e em quietude nesta sala? Conseguem sentir isso? Não pensar sobre o passado, não pensar sobre o futuro, mas sentir a paz nesta sala, neste momento. O passado já se foi, não podemos modificá-lo. O futuro ainda está para vir. Experienciemos, então, a alegria do momento presente. Assim, se pensamentos do passado e pensamentos do futuro surgirem na mente, soltem-se deles suavemente e voltem ao momento presente, ao aqui e agora. Então, com conscientização, vocês estão a aprender a desprender-se de seus pensamentos, estão a aprender a controlar os seus pensamentos, estão a aprender a desenvolver a maestria sobre os seus pensamentos. Tudo isto acontece quando aprendem a desapegarem-se deles e a voltarem ao momento presente. Apenas sentir, apenas reconhecer a quietude, a paz desta sala. Talvez nem ouçam um som. Por favor, agora abram os olhos de forma consciente e vigilantemente. Mudem a sua postura mas, por favor, façam-no lentamente, conscientes, vigilantemente. Por favor, não pensem que a meditação terminou. Agora vamos cantar. Os cânticos também são uma forma de meditação. Vamos usar o cântico para experienciar o momento presente e faremos também algumas pausas entre os cânticos, apenas para sentir a quietude, o espaço que o cântico produz na mente. Então, primeiramente, haverá cânticos em pali e, depois, cânticos em chinês.

~ Palestra dada em Hong Kong – Dia 2 ~ 7 de outubro de 1997

Traduzido pelo Grupo de Tradução do Centro Nalanda
em acordo com The Association of Spiritual Friends of Godwin
Para Distribuição Gratuita
© Ms. Jeanne Mynett
© 2011 Edições Nalanda


Nota: “O Caminho Gentil da Meditação” é a transcrição de palestras realizadas por um mestre laico de meditação muito famoso no Sri Lanka, Mr. Godwin Samararatne.


* Se você tem ‘dotes linguísticos’ e gostaria de traduzir e dispor suas traduções em nossa sala de estudos para que mais pessoas possam ter acesso aos ensinamentos do Dhamma, nós o/a convidamos para entrar em contato conosco. Precisamos de tradutores do espanhol, inglês, alemão e outras línguas.

2 Comments:

  1. E cá estava eu tentando acordar mecanicamente tomando café na frente do computador.
    _/\_

    ps.: Muito bom receber pelo email uma nova postagem em seu blog. Como nao pensei antes em assinar seus outros blogs, ja corri fazer agora mesmo.

  2. …enquanto eu lia o texto, ao mesmo tempo, eu observava o quanto a gente faz coisas todas ao mesmo tempo… uma mistura de passado, presente e futuro. Conscientização, requer estar no momento presente e só uma experiência de cada vez…

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