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P: p7.jpgPor que falamos de “tradição” buddhista?

RS: É importante diferenciar o quanto possível ‘tradição’ enquanto ‘costume’ e ‘hábito’ (um sentido moderno e inferior da palavra) e de outra parte enquanto conjunto dos princípios universais transmitidos por um ‘fonte espiritual’. O grande metafísico francês René Guénon diferencia estes dois sentidos como ‘tradicionalismo’ e ‘tradição’ respectivamente, mostrando como na maior parte das vezes representam até mesmo dimensões opostas e antagônicas. Entretanto na mente popular estes sentidos são frequentemente confundidos. O Dhamma (skr. Dharma), enquanto especulações empíricas e condicionadas pelas circunstâncias ou fenômenos culturais conectados apenas remotamente às fontes primeiras, não pode apropriadamente ser considerado parte da ‘tradição buddhista’, mas apenas circunstancialmente relacionado a ela. Dhamma (literalmente “aquilo que sustenta”) deveria preferencialmente ser identificado com princípios permanentes subjacentes à existência, e a tradição proveniente dele só haveria de ser chamada propriamente de tradição na medida em que é conforme a este sanantana dhammo, akaliko dhammo (Dhamma eterno, Dhamma fora do tempo, não condicionado por ele). Esse Dhamma fora do tempo deve ser distinguido do Dhamma no sentido popular.

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