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Para Sundarika Bhāradvāja, o brāhmaṇa que lhe inquiriu sobre sua linhagem, o Buddha respondeu:
“Eu, brāhmaṇa, não sou príncipe, nem fazendeiro ou mais nada. Postos mundanos sei todos, sei e minha senda sigo simplesmente tal ninguém: sem lar, trajes peregrinos, sem cabelos por coroa, sereno, eu sigo só, saber-me a origem é vão” [2]. Numa ocasião um brāhmaṇa insultou o Buddha dizendo: “Pare, seu impuro! Pare, seu pária!” O Mestre, sem qualquer sentimento de indignação, gentilmente respondeu: “O nascimento não faz alguém pária, O nascimento não faz alguém brāhmaṇa; É a ação que faz alguém um pária, é a ação que faz alguém um brāhmaṇa”. (Sutta-nipāta, 142).
Ele então pronunciou todo um sermão, o Vasala Sutta, explicando ao brāhmaṇa em detalhes as características de alguém que é um pária (vasala). Convencido, o brāhmaṇa orgulhoso tomou refúgio no Buddha. O Buddha admitia livremente em sua Ordem pessoas de todas as castas e classes quando sabia que estavam prontos para viver a vida santa, e mais tarde alguns se distinguiram na Ordem. O Buddha era o único professor de seu tempo que se esforçava para misturar com tolerância mútua e concórdia aqueles que até então haviam sido separados pelas diferenças de casta e classe. Upāli, que era a autoridade chefe no Vinaya – as regras disciplinares da Ordem – era um barbeiro, considerado como uma das ocupações mais vis das classes baixas. Sunita, que mais tarde alcançou o estado de arahat, era um catador, outra ocupação baixa. Na Ordem das Monjas estavam Punnā e Punnikā, ambas escravas. De acordo com a senhora C. A. F. Rhys Davids, 8.5% do número daquelas monjas que eram capazes de perceber os frutos de seus treinamentos eram saídas das castas desprezadas, que eram na maioria iletradas [3].
[1] P. D. Premasiri. The Buddhist Concept of a Just Social and Political Order. Young Buddhist, Cingapura.
[2] Sn. 455, 456. Tradução de Chalmer (Harvard Oriental Series).
[3] Ver G. P. Malalasekera e K. N. Jayatilleke. Buddhism and the Race Question (Wheel 200/201).