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por Ajahn Buddhadasa:
“Quando a mente compreende a vaziez; quando a mente vê ou percebe a vaziez; então ela mesma é vazia; porque quando a mente está percebendo ou vendo a vaziez, ela não vê nada que possa ser tomado como ‘bom’ ou ‘mau’; não há nada para ser agarrado como ‘positivo’ ou ‘negativo’ e assim então, a mente é vazia como um todo. Quando a mente é vazia, isso é a felicidade suprema, não há nenhuma felicidade que se aproxime tanto desta mais verdadeira e genuína felicidade da vaziez. Esta é a felicidade da liberdade, quando a mente é completamente liberta de todas as coisas que têm poder sobre ela, que a influencia, que a apanha em armadilha, que empurra seus botões e assim sucessivamente. Esta é a felicidade mais alta, a felicidade da vaziez.
Este tipo de vaziez não acontece somente depois de muitos anos de prática e treinamento. Você provavelmente não a notou ainda. Na realidade, na vida de todo mundo há momentos, pelo menos um momento muito curto, quando a mente está livre, quando a mente está sem qualquer sentimento de positivo ou negativo, quando a mente não está agarrando nada como ‘bom’ ou ‘mau’.
Isto é uma amostra grátis ou espécime grátis do Nibbana, da completa e perfeita vaziez. As pessoas tendem a negligenciar estas amostras grátis, não prestam nenhuma atenção porque estão muito ocupadas perseguindo os prazeres enganosos. Então, por favor, comecem a prestar atenção. Estejam atentos a esses momentos, quando a mente está livre, quando a mente está vazia de positivo e negativo.
Uma vez que começamos a ver, somente uma fração de segundo desta vaziez, quando viermos a realmente perceber o que verdadeiramente é, então nós viramos nossas vidas em direção desta vaziez e partimos, verdadeira e genuinamente partimos, no caminho para o Nibbana, para uma vida que é vazia, que está acima das condições mundanas. Assim, não negligencie essas amostras do Nibbana que a Natureza nos dá. Então você começará a compreender esta mais alta felicidade genuína.
Resumindo, quando há egoísmo então a mente não está vazia; quando não há nenhum egoísmo, a mente está vazia e livre”.
Ven. Ajahn Buddhadasa
Ajahn Buddhadasa Bhikkhu (cujo nome significa ‘Servo do Buddha’) tornou-se um bhikkhu (monge buddhista) em 1926, com a idade de 20 anos. Após alguns anos de estudo em Bangkok, sentiu-se inspirado a viver perto da natureza, de maneira a investigar o Buddha-Dhamma. Estabeleceu, então, Suan Mokkhabalarama (O Jardim do Poder da Libertação) em 1932, perto de sua cidade natal. Na época, ele era o único Centro de Dhamma na Floresta e um dos poucos lugares dedicados a vipassana (o cultivo mental que leva ao “ver claramente” a realidade) no sul da Thailândia. O reconhecimento de Buddhadasa Bhikkhu, sua obra e Suan Mokkh, espalhou-se no correr dos anos, de forma que agora eles são facilmente descritos como “um dos eventos mais influentes da história buddhista da Thailândia”.
Tan Ajahn morreu em 1993, mas sua obra permanece como uma luz a indicar o caminho para todos os sérios buscadores da verdade. A Comunidade Nalanda de Buddhismo Theravada é um dos centros reconhecidos no mundo – o único da América do Sul – , a continuar nessa exploração segundo suas diretrizes e dar continuidade ao seu pensamento.
Edições Nalanda publicou, em 1999, “A Causa do Sofrimento – na perspectiva buddhista” e em 2004 “48 Respostas sobre o Buddhismo”, ambos de sua autoria.