Vivendo no mundo com o Dhamma

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Ajahn Chah e alunos

Ajahn Chah e alunos

~ Ven. Ajahn Chah ~

[1] A maioria das pessoas ainda não conhece a essência da prática da meditação. Elas pensam que a meditação andando, a meditação sentada e o escutar o Dhamma são a prática. Isso também é verdade, mas essas são apenas as formas externas de praticar. A prática real acontece quando a mente encontra um objeto sensorial. Esse é o lugar para praticar, onde ocorre o contato sensorial. Quando as pessoas dizem coisas de que não gostamos há o ressentimento, se elas dizem coisas de que gostamos nós experienciamos o prazer. Agora, esse é o lugar para praticar. Como iremos praticar com essas coisas? Esse é o ponto crucial. Se apenas corrermos para lá e para cá perseguindo a felicidade e fugindo do sofrimento o tempo todo, poderemos praticar até o dia em que morrermos e nunca vermos o Dhamma. Isso é inútil. Quando o prazer e a dor surgem como usaremos o Dhamma para sermos livres deles? Esse é o objetivo da prática.

Normalmente, quando as pessoas encontram algo desagradável para elas, elas não se abrem para aquilo. Tal como quando as pessoas são criticadas: “Não me incomode! Por que me culpar?”. Isso é alguém que se fecha. Exatamente aí é o lugar para praticar. Quando as pessoas nos criticam deveríamos ouvir. Elas estão falando a verdade? Devemos estar abertos e considerar o que elas falam. Talvez exista um ponto no que elas dizem, talvez haja algo repreensível em nós. Elas podem estar certas e nós imediatamente tomamos como ofensa. Se as pessoas apontam nossas falhas nós devemos nos empenhar para nos livrarmos delas e aprimorar a nós mesmos. Assim é como as pessoas inteligentes praticarão.

Onde há a confusão é onde a paz pode surgir. Quando a confusão é penetrada com entendimento o que resta é a paz. Algumas pessoas não conseguem aceitar a crítica, elas são arrogantes. Em vez disso, elas se viram e discutem. Isso é principalmente verdade quando os adultos lidam com as crianças. Na verdade, as crianças podem dizer algumas coisas inteligentes em alguns momentos, mas se vocês são a mãe delas, por exemplo, vocês não podem render-se a elas. Se vocês forem um professor, seus alunos podem, algumas vezes, dizer a vocês coisas que vocês não sabiam, mas por serem seu professor, vocês não podem escutar. Esse não é o pensamento correto.

No tempo do Buddha havia um discípulo que era bastante astuto. Uma vez, enquanto Buddha estava expondo o Dhamma, ele virou para um monge e perguntou: “Sāriputta, você acredita nisso?” O Venerável Sāriputta respondeu “Não, eu ainda não acredito.” O Buddha elogiou sua resposta. “Isto é muito bom, Sāriputta, você é um que é dotado de sabedoria. Aquele que é sábio não acredita realmente, ele escuta com uma mente aberta e depois avalia a verdade sobre aquela questão antes de acreditar ou desacreditar.

Agora o Buddha aqui estabeleceu um bom exemplo para um professor. O que o Venerável Sāriputta disse era verdade, ele apenas exprimiu seus reais sentimentos. Algumas pessoas pensariam que dizer que não acreditou naquele ensinamento seria como questionar a autoridade do professor, elas ficaram receosas em dizer tal coisa. Elas apenas prosseguiriam e concordariam. Assim é com a maneira do mundo. Mas o Buddha não ficou ofendido. Ele disse que vocês não precisam se envergonhar por estas coisas que não são erradas ou ruins. Não é errado dizer que vocês não acreditam se vocês não acreditam. Esse foi o motivo pelo qual Venerável Sāriputta disse: “Eu ainda não acredito”. O Buddha o elogiou. “Esse monge tem muita sabedoria. Ele considera cuidadosamente antes de acreditar em qualquer coisa.” As ações do Buddha aqui são um bom exemplo para alguém que seja um professor para outros. Algumas vezes vocês podem aprender coisas até de crianças pequenas; não se apeguem cegamente a posições de autoridade.

Quer vocês estejam em pé, sentados ou andando, em diversos lugares, vocês podem sempre estudar as coisas que estão em sua volta. Nós estudamos de forma natural, receptivos a todas as coisas, sejam elas visões, sons, cheiros, gostos, sentimentos ou pensamentos. A pessoa sábia considera todas elas. Na prática real, nós chegamos ao ponto onde não existem mais preocupações pesando na mente.

Se ainda não conhecemos o gostar e o desgostar no momento em que surgem, ainda existem preocupações na nossa mente. Se conhecemos a verdade dessas coisas, nós refletimos: “Oh, nada existe aqui neste sentimento de gostar. É apenas um sentimento que surge e vai embora”. Desgostar nada mais é, apenas um sentimento que surge e vai embora. Por quê fazer algo a partir deles? Se pensarmos que o prazer e a dor são posses pessoais, então estamos em apuros, nunca iremos além do ponto de ter algumas preocupações ou outras em uma cadeia contínua. Assim é como as coisas são para a maioria das pessoas.

Mas hoje em dia elas não falam frequentemente sobre a mente quando ensinam o Dhamma, elas não falam sobre a verdade. Se vocês falam a verdade as pessoas até se opõem. Elas dizem coisas como: “Ele não conhece o tempo e o lugar, ele não sabe como falar bem”. Mas as pessoas deveriam escutar a verdade. Um verdadeiro professor não apenas fala a partir da memória, ele fala a verdade. As pessoas na sociedade normalmente falam a partir da memória; ele fala a verdade. As pessoas na sociedade normalmente falam a partir da memória, e mais ainda elas normalmente falam de tal maneira a exaltar elas mesmas. Um verdadeiro monge não fala assim, ele fala a verdade, a maneira como as coisas são.

Não importa o quanto ele explique a verdade, é difícil para as pessoas entenderem. É difícil entender o Dhamma. Se vocês entenderem o Dhamma, vocês devem praticar de acordo. Pode não ser necessário se tornar um monge, embora a vida do monge seja a ideal para praticar. Para realmente praticar, vocês devem renunciar a confusão do mundo, desistir da família e das posses, e ir para as florestas. Esses são os lugares ideais para praticar.

Mas se nós ainda temos família e responsabilidades como iremos praticar? Algumas pessoas dizem que é impossível praticar o Dhamma como uma pessoa leiga. Considerem qual grupo é maior, os monges ou as pessoas leigas? Existem muito mais pessoas leigas. Agora, se apenas os monges praticarem e as pessoas leigas não, então isso significa que haverá muita confusão. Isso é um entendimento errado. “Eu não posso me tornar um monge…” Tornar-se um monge não é o ponto! Ser um monge não tem significado se vocês não praticarem. Se vocês realmente entendem a prática do Dhamma, então não importa qual posição ou profissão que vocês tenham na vida, seja um professor, doutor, funcionário público ou qualquer outra, vocês podem praticar o Dhamma todos os minutos do dia.

Pensar que vocês não podem praticar como uma pessoa leiga é perder completamente o rumo do caminho. Por quê será que as pessoas conseguem achar incentivo para fazer outras coisas? Quando elas sentem que está faltando alguma coisa elas fazem um esforço para obtê-la. Se há desejo suficiente as pessoas podem fazer qualquer coisa. Algumas dizem: “Eu não tenho tempo para praticar o Dhamma”. Eu digo: “Então como pode você ter tempo para respirar?” Respirar é vital para a vida das pessoas. Se elas enxergassem a prática do Dhamma como vital para suas vidas, elas iriam enxergá-lo como tão importante quanto sua respiração.

A prática do Dhamma não é algo que vocês precisam sair correndo para ela ou se exaurir a respeito. Apenas olhem para os sentimentos que surgem na sua mente. Quando o olho vê a forma, o ouvido escuta o som, o nariz sente o cheiro e assim por diante, todos eles chegam até uma única mente, “aquela que conhece”. Agora, quando a mente percebe essas coisas o que acontece? Se gostamos daquele objeto experimentamos prazer, se desgostamos dele nós experimentamos o desprazer. Isso é tudo o que há em relação a ele.

Assim, onde vocês irão encontrar a felicidade neste mundo? Vocês esperam que todas as pessoas digam apenas coisas agradáveis para vocês por toda a vida? Isso é possível? Não, não é. Se não é possível, então para onde vocês irão? O mundo é simplesmente assim, nós devemos conhecer o mundo – lokavidū – conhecer a verdade deste mundo. O mundo é algo que devemos entender claramente. O Buddha viveu neste mundo, ele não viveu em nenhum outro lugar. Ele experimentou a vida em família, mas ele viu as limitações e se desapegou dela. Agora, como vocês, enquanto pessoas leigas, irão praticar? Se quiserem praticar deverão fazer um esforço para seguir o caminho. Se perseverarem com a prática também enxergarão as limitações deste mundo e serão capazes de deixar passar.

As pessoas que bebem álcool algumas vezes dizem: “Eu simplesmente não consigo abandonar”. Por que elas não conseguem abandonar? Porque elas não enxergam a responsabilidade nisso. Se elas claramente enxergassem a responsabilidade disso elas não teriam que esperar serem alertadas para pararem. Se vocês não enxergam a responsabilidade de algo, isso significa que vocês também não enxergam o benefício de abandoná-lo. Sua prática se torna inútil, vocês estão apenas brincando na prática. Se vocês claramente enxergam a responsabilidade e o benefício de algo vocês não terão que esperar para outros lhe dizerem sobre eles. Considere a história de um pescador que encontra algo em sua rede. Pensando ser um peixe, ele coloca sua mão dentro da rede, apenas para encontrar um outro tipo de animal. Ele ainda não consegue vê-lo, então tem duas mentes a respeito. Por um lado, poderia ser uma enguia [2], mas também poderia ser uma cobra. Se ele jogá-lo fora ele poderá se arrepender… poderia ser uma enguia. Por outro lado se ele continuar segurando e acontecer de ser uma cobra ela pode mordê-lo. Ele está preso em um estado de dúvida. Seu desejo é tão grande que ele persiste, apenas caso seja uma enguia, mas no minuto que ele o traz e vê a pele listrada ele a joga fora imediatamente. Ele não tem que esperar alguém dizer: “É uma cobra, é uma cobra, solte!” O sinal da cobra mostra para ele o que fazer muito mais claramente do que as palavras poderia fazer. Por que? Porque ele vê o perigo – as cobras podem morder! Quem tem que dizer isso para ele? Da mesma maneira, se nós praticarmos até vermos as coisas como elas são nós não iremos mexer em coisas que são prejudiciais.

As pessoas normalmente não praticam dessa maneira, elas normalmente praticam para outras coisas. Elas não contemplam as coisas, elas não refletem sobre a velhice, doença e morte. Elas apenas falam sobre a não-velhice e a não-morte, então elas nunca desenvolvem o sentimento correto para a prática do Dhamma. Elas vão e ouvem palestras do Dhamma, mas elas não escutam de verdade. Algumas vezes sou convidado para dar palestras para cargos importantes, mas é um aborrecimento para mim. Por quê? Porque quando eu olho para as pessoas juntas ali eu posso ver que elas não vieram para escutar o Dhamma. Algumas cheiram a álcool, algumas estão fumando cigarros, algumas estão conversando… elas não parecem de forma alguma pessoas que vieram pela fé no Dhamma. Dar palestras em lugares assim é de poucos frutos. As pessoas que estão mergulhadas na negligência tendem a pensar coisas do tipo: “Quando ele vai finalmente parar de falar?… Não pode fazer isso, não pode fazer aquilo…” e suas mentes apenas vagam por todos os lugares.

Algumas vezes elas me convidam para dar uma palestra apenas por formalidade: “Por favor, nos dê apenas uma pequena palestra, Venerável Senhor”. Elas não querem que eu fale muito, isso pode incomodá-las! Assim que eu escuto as pessoas dizerem isso eu sei o que querem dizer. Essas pessoas não escutam o Dhamma. Isso as incomoda. Se eu der apenas uma pequena palestra elas não irão entender. Se vocês comerem apenas um pouco de comida, será suficiente? Claro que não.

Algumas vezes estou dando uma palestra, apenas aquecendo para o assunto, e algum bêbado grita: “Pronto, abram caminho, abram caminho para o Venerável Senhor, ele está saindo agora!” – tentando me afastar! Se eu encontro esse tipo de pessoa eu recebo muito alimento para reflexão, recebo um insight sobre a natureza humana. É como uma pessoa que possui uma garrafa cheia de água e fica pedindo por mais. Não há onde colocá-la. Não vale o tempo e energia para ensiná-las, porque suas mentes estão cheias. Se colocar um pouco mais elas apenas derramam inutilmente. Se suas garrafas estivessem vazias haveria algum lugar para colocar a água, e ambos, o doador e o recebedor, seriam beneficiados.

Desta maneira, quando as pessoas estão realmente interessadas no Dhamma e sentam silenciosamente, escutam cuidadosamente, eu me sinto mais inspirado para ensinar. Se as pessoas não prestam atenção é como o homem com a garrafa cheia de água… não há mais espaço para colocar mais. Nem vale a pena meu tempo. Em situações como essa não surge qualquer energia em mim para ensinar. Você não pode colocar muita energia na doação quando ninguém está colocando muita energia para receber.

Hoje em dia, dar palestras tende a ser assim, e está piorando o tempo todo. As pessoas não procuram pela verdade, elas simplesmente estudam para encontrar o conhecimento necessário para sobreviver, criar famílias e cuidarem de si mesmas. Elas estudam para um sustento. Podem até ter algum estudo do Dhamma, mas não muito. Os estudantes hoje em dia possuem muito mais conhecimento que os estudantes de tempos anteriores. Eles possuem todos os requisitos a sua disposição, tudo é mais conveniente. Mas eles também possuem muito mais confusão e sofrimento que antes. Por que é assim? Porque eles procuram apenas pelo tipo de conhecimento utilizado para ser bem sucedidos na vida.

Mesmo os monges são assim. Algumas vezes escuto eles dizerem: “Eu não me tornei um monge para praticar o Dhamma, eu apenas me ordenei para estudar”. Essas são as palavras de alguém que interrompeu totalmente o caminho da prática. Não há caminho adiante, é um beco sem saída. Quando esses monges ensinam é apenas por meio da memória. Eles podem ensinar uma coisa, mas suas mentes estão em um lugar completamente diferente. Tais ensinamentos não são verdadeiros.

O mundo é assim. Se tentarem viver simples, praticando o Dhamma e vivendo pacificamente, as pessoas dizem que vocês são estranhos e antissociais. Elas dizem que vocês estão obstruindo o progresso na sociedade. Elas até lhes intimidam. Eventualmente vocês podem até acreditar nelas e reverter para os meios mundanos, afundando-se mais e mais profundamente no mundo até ser impossível sair. Algumas pessoas dizem: “Eu não posso sair agora, eu fui muito fundo”. Assim é como a sociedade tende a ser. Ela não aprecia o valor do Dhamma.

O valor do Dhamma não é para ser encontrado nos livros. Eles são apenas as aparências externas do Dhamma, elas não são a realização do Dhamma como uma experiência pessoal. Se vocês compreendem o Dhamma, vocês o compreendem na sua própria mente, vocês enxergam a verdade lá. Quando a verdade se torna aparente ela interrompe o fluxo da ilusão.

O ensinamento do Buddha é a verdade imutável, quer no presente ou em qualquer outro tempo. O Buddha revelou essa verdade 2500 anos atrás e tem sido verdade desde então. Não se deve adicionar nem retirar nada a esse ensinamento. O Buddha disse: “O que o Tathāgata estabeleceu não deve ser descartado, o que não foi estabelecido pelo Tathāgata não deve ser adicionado aos ensinamentos. Ele “selou” os ensinamentos. Por que o Buddha os selou? Porque esses ensinamentos são as palavras daquele que não possui imperfeições. Não importa como o mundo possa mudar, esses ensinamentos não são afetados, eles não mudam com ele. Se algo é errado, mesmo que as pessoas digam que está certo, não o faz menos errado. Se algo está correto, isso não muda apenas porque as pessoas dizem que não está.

Agora, quem criou essa verdade? A própria verdade criou a verdade! Foi o Buddha quem a criou? Não, não foi. O Buddha apenas descobriu a verdade, a forma como as coisas são, e depois ele a declarou. A verdade é constantemente verdade, quer o Buddha surja no mundo ou não. O Buddha apenas “possui” o Dhamma nesse sentido; ele, na realidade, não o criou. Isso esteve aqui o tempo todo. Entretanto, anteriormente, ninguém tinha procurado e encontrado a Não Morte, e ensinado como sendo o Dhamma. Ele não o inventou, ele já estava lá.

Em algum ponto no tempo a verdade é iluminada e a prática do Dhamma floresce. Na medida em que o tempo continua e as gerações passam, a prática se degenera até que o ensinamento desaparece completamente. Depois de um tempo o ensinamento é fundado novamente e floresce mais uma vez. Na medida em que o tempo passa os adeptos do Dhamma multiplicam, a prosperidade surge, e mais uma vez o ensinamento começa a seguir a escuridão do mundo. A confusão reina mais uma vez. Então é o momento de restabelecer a verdade. De fato, a verdade não vai a lugar algum. Quando os Buddhas se vão, o Dhamma não desaparece com eles.

O mundo gira dessa maneira. É algo como a mangueira. A árvore amadurece, floresce e os frutos aparecem e crescem para maturação. Eles se tornam podres e a semente retorna ao chão para se tornar uma nova mangueira. O ciclo começa mais uma vez. Eventualmente existem mais frutos podres que se conduzem para cair, deteriorar, afundar no chão enquanto sementes e crescem uma vez mais como árvores. Assim é como o mundo é. Ele não vai muito longe, ele apenas gira em torno das mesmas velhas coisas.

As nossas vidas, nesses dias, são a mesma coisa. Hoje estamos simplesmente fazendo as mesmas velhas coisas que sempre fizemos. As pessoas pensam muito. Existem tantas coisas para elas se interessarem, mas nenhuma delas levam a completude. Existem as ciências tal como a matemática, física, psicologia e assim por diante. Vocês podem se aprofundar em qualquer uma delas, mas no final as coisas terminam com a verdade.

Suponhamos que exista uma carroça sendo puxada por um boi. As rodas não são longas, mas os rastros são. Contanto que o boi puxe a carroça os rastros irão seguir. As rodas são redondas, mas os rastros são longos; os rastros são longos, mas as rodas são meramente círculos. Quando apenas olhamos uma carroça parada não conseguimos ver nada de longo sobre ela, mas assim que o boi começa a mover vemos os rastros se esticando atrás das rodas. Tanto quanto o boi puxa, as rodas continuam a girar… mas chega o dia em que o boi se cansa e se livra de seu arreio. O boi vai embora e deixa a carroça vazia, parada lá. As rodas não giram mais. Com o tempo a carroça desintegra, e seus componentes voltam aos quatro elementos – terra, água, vento e fogo.

Ao procurar a paz no mundo vocês estendem os rastros das rodas da carroça infinitamente atrás de vocês. Enquanto vocês seguirem o mundo não haverá fim, não haverá descanso. Se vocês simplesmente pararem de segui-lo, a carroça entra em repouso, a roda não gira mais. Seguir o mundo gira a roda incessantemente. Criar o kamma ruim é assim. Enquanto seguirem as maneiras antiquadas não haverá parada. Se pararem haverá parada. Assim é como nós praticamos o Dhamma.

Notas:

[1] Uma palestra informal dada após um convite para receber alimento na casa de uma pessoa leiga em Ubon, a capital do distrito, perto de Wat Pah Pong.

[2] Considerada uma iguaria em algumas partes da Tailândia.

 


 

Traduzido por Gabriela Carneiro do Grupo de Tradução do Centro Nalanda
com a permissão dos detentores do copyright

© 2013 Edições Nalanda


Nota: Os Ensinamentos de Ajahn Chah” consiste de uma coletânea de ensinamentos dados por um dos mais importantes mestres da tradição das florestas da linhagem Theravada da Tailândia.

 


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