May
01
2009
por Venerável Khammai Dhammasami
Há muitas maneiras de se celebrar o Vesak, especialmente nos países de tradição Theravada, como é o caso da Thailândia, Sri Lanka, Birmânia (Myanmar), Laos e Cambodja. Na Thailândia, é comum ver as pessoas caminhando ao redor do pagode, cada qual com uma vela na mão. Na Birmânia, regar a Árvore Bodhi é a maneira como os buddhistas marcam essa importante data. Construir um pandol (espécie de painel eletrônico representando a vida do Buddha) e ilustrar a história do Buddha com maravilhosos murais eletrônicos é uma celebração própria do Sri Lanka. Em cada um desses países você pode presenciar as pessoas indo aos templos e pagodes para observar os Oito Preceitos; participar de uma palestra sobre o Dhamma ministrada por um monge; fazer doações aos mosteiros; e libertar peixes, pássaros e, em alguns casos, gado para abate. Os centros de meditação ficam lotados de devotos que participam de retiros de um dia. O Vesak é um feriado nacional em muitos dos países do sudoeste asiático – até mesmo na Indonésia que é um país oficialmente islâmico. Continue Reading »
Mar
09
2009
Excertos de uma palestra dada em uma aula de meditação
Sempre fico muito feliz em vê-los na aula de meditação. Ao virem, vocês demonstram o desejo de praticar. Talvez tenham ouvido dizer que meditar ajuda as pessoas a se livrarem da ansiedade, medo, agitação, estresse ou depressão. Admito que realmente ajuda e, claro, que vocês são bem-vindos por terem vindo por esse motivo. No entanto, como seu professor gostaria de destacar que Vipassana tem objetivo e recompensas muito maiores. Vipassana os capacita a entender os ensinamentos do Buddha, o Dhamma, e com isso, ver o que é real em todas as suas experiências. Vejam o seguinte exemplo com relação às limitações de usar a prática apenas para aliviar estresse, ansiedade, depressão, etc. Digamos que eu resolva que quero ir a Londres. Esse desejo terá pouco efeito se ficar apenas no querer ir. Preciso agir. Devo descobrir como chegar lá, qual a melhor forma de viajar - se de carro, trem ou ônibus -, quanto custará, os horários, qual é o jeito mais rápido. Sem fazer isso posso até partir, mas ficarei rodando e talvez nunca chegue lá. E caso chegue, terei desperdiçado muito tempo e dinheiro no caminho. O mesmo acontece com a prática de meditação: ação e sabedoria devem acompanhar o desejo para que se saiba qual é a ação correta.
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Jan
02
2009
por Ayya Khema

Quando cantamos juntos, temos que ter ritmo e harmonia. Devemos prestar atenção ao tempo e às outras pessoas ou ficaremos fora de sintonia. O mesmo é verdade quando vivemos juntos. Temos que prestar atenção aos outros, sentir nossa sensação de estar juntos, e criar harmonia. As pessoas precisam disso como fundamento para viver com habilidade.A vida habilidosa geralmente se estraga porque nenhum de nós tem nem harmonia nem atenção ao nosso tempo apropriado. E o que criamos no mundo se torna uma imagem espelhada do que encontramos em nós mesmos. O verdadeiro primeiro passo em criar harmonia acontece dentro de nós mesmos. Isto não requer nenhuma situação especial, mas pode ser feito quer estejamos sentados na sala de meditação, remando um barco, cozinhando o almoço, lendo um livro, ou trabalhando no jardim. Criar um sentimento harmonioso em nós depende de estarmos contentes. De outra forma, haverá desarmonia.
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Jul
21
2008
por Narayan Liebenson Grady
Extraído de um ensinamento dado durante um retiro sobre a equanimidade no Cambridge Insight Meditation Center - EUA
Como seres humanos, estamos sujeitos à mudança contínua ao longo de toda a vida. Os taoístas falam das dez mil tristezas e das dez mil alegrias. A alegria se transforma em tristeza. A tristeza se transforma em alegria. Não há exceção. A equanimidade é uma qualidade libertadora que nos dá um coração aberto e equânime, calmo e estável, no meio das vicissitudes da vida.
Desenvolvemos a equanimidade estando atentos a nossas reações àquilo que o Buddha chamou os oito dhammas (fenômenos) mundanos. Esses oito dhammas mundanos são formados de quatro pares de opostos. Todos nós, em um momento ou outro, somos vítimas deles. Cultivar a equanimidade consiste em observar profundamente como reagimos à sua presença (dos opostos) no curso de nossa vida. Continue Reading »
May
06
2008
Neste atualíssimo artigo, nosso irmão no Dhamma, Yann Lovelock, faz uma abordagem buddhista das questões verdes. Como podemos olhar para as questões ecológicas que afligem o mundo a partir da perspectiva buddhista? O que podemos pensar e fazer?
“Embora a interdependência de todas as coisas esteja no coração do ensinamento buddhista, a ecologia como tal é uma formulação moderna. Se poderia certamente dizer que ela é uma reafirmação muito necessária da visão buddhista para os tempos modernos; seria possível concordar com os poetas (entre eles, o próprio Buddha) e afirmar que a verdade se perde nas palavras e, portanto, precisa de uma nova reafirmação de tempos em tempos. Os jovens idealistas com os quais eu costumava me encontrar, e que acabaram fundando a Rede de Buddhistas Engajados, não tinham dúvidas de que isso era assim. Mas, de maneira a convencer os buddhistas mais tradicionalistas, descobrimos que era primeiro necessário provar a afirmação a partir de fontes tradicionais“.
Quem quiser ler o artigo inteiro em formato PDF, pode clicar aqui.
May
01
2008
Critérios para a Seleção de um Método Correto de Meditação
Win Pe
“Esta é a única maneira para a purificação dos seres, para ultrapassar o pesar e a miséria, para a destruição da dor e das penas, para alcançar o caminho correto e atingir o Nibbâna”. Gautama Buddha estava se referindo no Sutta Mahâ Satipatthâna ao caminho da vigilância - vigilância ao corpo, sensações, estados mentais e elementos mentais. A vigilância é a auto-estrada, mas o acesso a ela pode ser feito por muitas “marginais”. Muitos métodos são oferecidos como meios para o estabelecimento bem sucedido da vigilância. O Sutta Mahâ Satipatthâna traz muitos métodos e exercícios.
Para o estabelecimento da vigilância ao corpo existem exercícios de vigilância na respiração, nas posturas corporais, nos elementos materiais e na contemplação de cemitérios. Para a vigilância à sensação existem sensações agradáveis e desagradáveis e nem agradáveis, nem desagradáveis. Para a vigilância aos estados mentais, existem dezesseis tipos de estados mentais enumerados. Os cinco obstáculos, os cinco agregados do apego, as seis bases dos sentidos internos e externos, os sete fatores da iluminação e as quatro nobres verdades são os elementos mentais sobre os quais a vigilância pode se desenvolver. Continue Reading »
Apr
29
2008
por Ayya Khema

Com freqüência as pessoas se surpreendem ao descobrirem que é difícil meditar. Por fora parece uma coisa tão simples, simplesmente sentar-se numa pequena almofada e observar sua respiração. Qual seria a dificuldade disso? A dificuldade reside no fato de que o ser inteiro está totalmente despreparado. Nossa mente, sentidos e sentimentos são usados para negociar no mercado, a saber, o mundo em que vivemos. Mas a meditação não pode ser feita no mercado. É impossível. Não há o que comprar, negociar ou com o que fazer acordos na meditação, mas a atitude da maioria das pessoas permanece a mesma de sempre e isso simplesmente não funciona.
Precisamos de paciência conosco mesmo. Leva tempo até mudar para o ponto em que a meditação é de fato um estado mental, disponível a qualquer hora porque o mercado já não é mais importante. Mercado não significa apenas ir às compras. Significa tudo o que é feito no mundo: todas as conexões, idéias, esperanças e memórias, todas as rejeições e resistências, todas as nossas reações. Continue Reading »
Mar
16
2008
por Ann Lovelock
Quando se começa a meditar, normalmente se ouve: “Sente com as costas eretas”, mas isto não é fácil de se conseguir, a não ser que se tenha uma percepção intuitiva do próprio corpo. Pior ainda é ouvir que a posição do lótus é a posição tradicional. Isto envolve sentar-se com as pernas cruzadas sobre o chão, com cada pé sobre a coxa oposta. Para a maioria dos ocidentais isto é pura tortura, apesar de ser dito que as pernas dobradas dão uma base firme e posicionam a pélvis corretamente, de tal modo que a coluna vertebral é automaticamente estendida.
Sentado de pernas cruzadas
Base firme, pélvis corretamente posicionada e coluna esticada são o essencial. Também precisamos estar relaxados de modo que pouco esforço seja necessário para manter nossa postura preferida. Um meio-lótus (isto é, com apenas um pé sobre a coxa oposta) não é recomendado, já que é desbalanceado. Continue Reading »
Mar
15
2008
por Ann Lovelock
É usual, durante retiros de meditação, haver períodos alternados de práticas sentada e andando. Isto permite ao praticante manter a concentração e, ao mesmo tempo, alongar as pernas e afrouxar as tensões corporais criadas durante a prática sentada. Visto que as instruções não são tão detalhadas, a impressão que se tem às vezes é de que a meditação andando não é tão importante quanto a sentada, mas ela pode ser recompensadora. O objeto de meditação neste tipo de prática é a própria postura, assim como o movimento e o contato dos pés com o chão; a atenção é dirigida para os pés. Darei, então, algumas explicações sobre como desenvolver a prática, e falarei sobre a postura. Há três estágios: em pé, andando e voltando-se. Se a prática for feita em local fechado, é usual cruzar a sala de meditação e, então, dar meia volta. Se a prática for feita em lugar aberto, caberá decidir o ponto de onde você deverá voltar. Continue Reading »