Perspectivas Buddhistas a respeito de Conceitos Econômicos

PraDhammaPitaka~ por Ven. Ajahn Payutto ~

Frequentemente, o modelo básico de atividade econômica é assim representado em livros acadêmicos de economia: desejos ilimitados são controlados por escassez; escassez exige escolha; escolha envolve custo de oportunidade (ou seja, escolher um significa abdicar de outro); e o objetivo final é a máxima satisfação [1]. Os conceitos fundamentais que ocorrem nesse modelo – querer, escolha, consumo e satisfação – descrevem as atividades básicas de nossas vidas a partir de uma perspectiva econômica e têm por base certos pressupostos sobre a natureza humana. Infelizmente, as pressuposições … Continue lendo

FSB 001: Entender o sofrimento e sua extinção

Joias Raras do ensinamento buddhistaBem-vindos ao podcast “Falando sobre Budismo”

Neste episódio comecei a falar sobre o livro que lançamos recentemente, “Joias raras do ensinamento buddhista”, mostrando a ordem subjacente dos capítulo e terminando com uma nova sequência para lê-los. Este livro é uma antologia de vários autores que tiveram uma grande influência em minha caminhada, é uma felicidade poder trazer tais autores em versão ebook e impressa.

Neste episódio o tema central é a importância do entendimento do sofrimento (em toda sua extensão) … Continue lendo

O Papel da Riqueza no Buddhismo

Phra Payutto

~ por Ven. Ajahn Payutto ~

Embora o Buddhismo seja caracterizado como uma religião ascética, na verdade o ascetismo foi vivenciado pelo Buddha e rejeitado por ele antes de alcançar a iluminação. Do ponto de vista do Buddhismo, o significado da palavra “ascetismo” é ambíguo e não deveria ser usado sem qualificação.

O termo “pobreza” também é capcioso. Os conceitos buddhistas conhecidos estão mais para contentamento (santutthi) ou desejos limitados (appicchata). Pobreza (dadiddiya) não é elogiada ou encorajada no Buddhismo. Como o Buddha disse: “Para chefes de família … Continue lendo

Contexto Relacional da Originação Dependente

~ Ajahn  Payutto ~

O principal objetivo da Originação Dependente é ilustrar a origem e a cessação do sofrimento (dukkha). O termo dukkha desempenha um papel fundamental no Buddha-Dhamma e aparece em vários ensinamentos-chaves, por exemplo, as Três Características e as Quatro Nobres Verdades. Para entender o completo significado do termo dukkha deve-se deixar de lado a tradução comum de “sofrimento” e examinar a tríplice classificação de dukkha, juntamente com as explicações nos comentários:

  • Dukkha-dukkhatā: a sensação de dor (dukkha-vedanā), como normalmente entendida, sofrimento físico (por exemplo, dores) e sofrimento … Continue lendo
  • Interpretações da Originação Dependente

    ~ Ajahn  Payutto ~ 

    O ensinamento da Originação Dependente pode ser resumido como se segue:

  • Uma explicação que descreve a evolução do mundo e do ciclo de toda a vida, através da interpretação de algumas das palavras do Buddha de uma forma mais literal, por exemplo, o ensinamento do Buddha sobre a “origem do mundo” (loka-samudaya).
  • Uma explicação que descreve o nascimento e a morte dos seres humanos e a origem e a cessação do sofrimento humano. Esta explicação pode ser subdividida em ainda duas categorias:
  • Uma vasta descrição de uma vida para outra: a passagem de um reino de … Continue lendo

  • Significado da Originação Dependente

    ~ por Ven. Ajahn Payutto ~

    O Buddha apresentou o princípio da Originação Dependente como uma lei da natureza, que não depende do aparecimento dele para ela existir. Ele a apresentou com uma verdade natural da seguinte maneira:

    Se os Tathāgatas * surgem ou não, esse princípio da condicionalidade específica é constante, certo e uma lei da natureza. Tendo compreendido completamente e penetrado nessa verdade, um Tathāgata a anuncia, a ensina, a esclarece, a formula, a revela e a analisa. E ele diz: ‘Veja! Com ignorância como condição, há formações volitivas…

    Assim, … Continue lendo

    Prefácio & Introdução sobre as Três Características

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    Em Reconhecimento

    As Três Características é uma parte do livro chamado Buddhadhamma, sendo seu terceiro capítulo. Buddhadhamma começou a ser traduzido a mais de 15 anos atrás. Mesmo a tradução tendo sido concluída cerca de sete anos mais tarde, apenas os capítulos 4, 5, e uma parte do capítulo 21 foram publicados. O atraso da publicação foi devido à falta de tempo do autor para examinar a tradução: Não houve nova publicação desde 1994.

    Essa tradução de As Três Características por Suriyo Bhikkhu, o abade do Hartridge Monastery, Devon, Reino Unido, é um avanço. Foi feita … Continue lendo

    Sumário das Três Características

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    ~ por Ven. Ajahn Payutto ~

    O insight em relação às Três Características conduz à bem-aventurança, ao desenvolvimento e à felicidade: à bem-aventurança de grande virtude, ao desenvolvimento da diligência e à felicidade da sabedoria, que traz a libertação do coração.

    A felicidade é a base sobre a qual repousa a boa conduta. A felicidade da qual se trata aqui, sobretudo, é independente dos objetos materiais (niramisa-sukha), é uma que não se estagna, coagula ou se degenera.

    Pessoas que tenham penetrado a verdade das Três Características … Continue lendo

    O Atributo da Libertação

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    Ajahn Payutto~ por Ven. Ajahn Payutto ~

    4. O Atributo da Libertação

    Embora o atributo da libertação seja um componente do caminho espiritual, ele possui várias características distintivas. As escrituras definem o caminho espiritual, e os ensinamentos práticos que o acompanham, referindo-se a impermanência, visto que ela é facilmente percebida. Mesmo praticantes iniciantes do dhamma beneficiam-se das Três Características pela integração dos ensinamentos espirituais e práticos, como convier a seu nível de compreensão. O atributo da libertação, porém, acompanha a meditação sobre o não-eu (anattā):[89]

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    Correlação entre Princípios Espirituais e Práticos

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    ~ por Ven. Ajahn Payutto ~

    3. Correlação entre Princípios Espirituais e Práticos

    A prática espiritual conducente a libertação apoia a prática da diligência por promover purificação da ação. Pessoas libertas agem com um coração puro, não emaranhado por impurezas. A prática conducente à libertação também nutre um sentido de alegria. Ela alivia as pessoas do estresse, perturbação e preocupação com estados mentais não saudáveis, por exemplo, o agir por medo ou competitividade. Ao invés, as pessoas agem com uma mente serena e radiante. [70/45] Além … Continue lendo

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