Mar
25
2008
29 de março a 1. de abril de 2008
29 e 30 de março: “Módulo 1 do curso de INTRODUÇÃO À ESPIRITUALIDADE BUDDHISTA“.
31 de março e 1. de abril
.: das 17h00 as 19h00 – Minicurso: “O que o Buddha tem a nos dizer sobre a Mente/Coração”
.: das 19h30 as 21h00 – Palestra
segunda: meditação guiada e perguntas & respostas
terça: “Nascendo na Terra Pura – uma visão segundo Ajahn Buddhadasa e Rev. Kubose”
Instrutor: Ricardo Sasaki
São Paulo – SP
Mais informações: saopaulo@nalanda.org.br, na página ou no site.
Mar
23
2008
P:
Por que falamos de “tradição” buddhista?
RS: É importante diferenciar o quanto possível ‘tradição’ enquanto ‘costume’ e ‘hábito’ (um sentido moderno e inferior da palavra) e de outra parte enquanto conjunto dos princípios universais transmitidos por um ‘fonte espiritual’. O grande metafísico francês René Guénon diferencia estes dois sentidos como ‘tradicionalismo’ e ‘tradição’ respectivamente, mostrando como na maior parte das vezes representam até mesmo dimensões opostas e antagônicas. Entretanto na mente popular estes sentidos são frequentemente confundidos. O Dhamma (skr. Dharma), enquanto especulações empíricas e condicionadas pelas circunstâncias ou fenômenos culturais conectados apenas remotamente às fontes primeiras, não pode apropriadamente ser considerado parte da ‘tradição buddhista’, mas apenas circunstancialmente relacionado a ela. Dhamma (literalmente “aquilo que sustenta”) deveria preferencialmente ser identificado com princípios permanentes subjacentes à existência, e a tradição proveniente dele só haveria de ser chamada propriamente de tradição na medida em que é conforme a este sanantana dhammo, akaliko dhammo (Dhamma eterno, Dhamma fora do tempo, não condicionado por ele). Esse Dhamma fora do tempo deve ser distinguido do Dhamma no sentido popular.
Mar
21
2008
O Que é um Retiro de Meditação?
Um retiro de meditação é uma excelente oportunidade de aprofundar sua prática. Praticar juntos num ambiente tranqüilo e propício faz com que nossas habilidades de concentração e visão clara sejam desenvolvidas e aprofundadas. Os retiros podem durar desde um dia até dez dias de treinamento formal.
Alguns de nossos retiros são totalmente voltados para a meditação, enquanto outros são organizados para ser uma combinação de prática e estudo, sendo dirigidos na forma de curso introdutório a um tema em particular. Nestes, todas as explicações necessárias para o início da prática são dadas de forma gradual e progressiva. Pelo menos uma vez por ano (em 2003 foram 4, por ex.), o Nalanda convida um monge ou professor buddhista de fora do Brasil para especialmente dirigir um curso/retiro. Todos os seus ensinamentos são traduzidos simultaneamente, além das entrevistas individuais e instruções para a prática. Continue Reading »
Mar
20
2008
Conversei há pouco com nosso querido professor Bhante Uttaranyana Sayadaw e ele me pediu para enviar para todos os membros do Nalanda as suas lembranças afetuosas. Bhante gosta muito das pessoas aqui no Brasil, e inclusive saiu um artigo sobre o Nalanda na revista do Birmingham Buddhist Vihara (que muitos não ficaram sabendo pois imperdoavelmente esqueci de mencionar). O artigo está em PDF e pode ser agora acessado online aqui.

O artigo tem fotos de uma de suas visitas, incluindo da cerimônia de upasaka. Sua mensagem de hoje aos membros do Nalanda não foi diferente daquela que escreveu no artigo: “Onde quer que eu ande, sempre me lembrarei de meus amigos brasileiros no Dhamma por seu agudo interesse nos ensinamentos do Buddha, bem como por sua usual honestidade e espírito amigo“.
Ele também me informou da grande comemoração que será realizada em julho, lembrando o décimo aniversário do Rewata Dhamma Hall e Pagoda, e me pediu um artigo para figurar na edição comemorativa. Alegremente poderei entregar o artigo em mãos à medida que devo me encontrar com ele e passar uns dias no Birmingham Buddhist Vihara no próximo mês de maio. Será um feliz reencontro, acrescido do fato de poder participar das comemorações de Vesak do mosteiro inglês.
E acabo de receber (tive que interromper a escrita) um pacote com “Mindfulness with Breathing” enviado por outro dos queridos professores, Ajahn Santikaro. Os primeiros membros que mandarem um email ou um comentário aqui ficam com o livro reservado.
RS
Mar
19
2008
P: O Dhamma é eterno na Terra?
RS: Dependendo de em qual sentido se interprete a palavra “Dhamma” a resposta necessariamente será diferente. Enquanto a verdade descoberta pelo Buddha, se é realmente verdade, por definição é intemporal, não sujeita ao tempo, pelo simples fato de que aquilo que é verdade deve sê-lo sempre, senão simplesmente não seria verdade.
Mas na sua dimensão de ensinamento do Buddha e, portanto, presente no tempo, passa automaticamente a seguir a lei da impermanência. É, aliás, unânime em todas as tradições de sabedoria, que são um patrimônio da humanidade, a presença de ensinamentos quanto ao desaparecimento gradual dos ensinamentos espirituais, Continue Reading »
Mar
16
2008
por Ann Lovelock
Quando se começa a meditar, normalmente se ouve: “Sente com as costas eretas”, mas isto não é fácil de se conseguir, a não ser que se tenha uma percepção intuitiva do próprio corpo. Pior ainda é ouvir que a posição do lótus é a posição tradicional. Isto envolve sentar-se com as pernas cruzadas sobre o chão, com cada pé sobre a coxa oposta. Para a maioria dos ocidentais isto é pura tortura, apesar de ser dito que as pernas dobradas dão uma base firme e posicionam a pélvis corretamente, de tal modo que a coluna vertebral é automaticamente estendida.
Sentado de pernas cruzadas
Base firme, pélvis corretamente posicionada e coluna esticada são o essencial. Também precisamos estar relaxados de modo que pouco esforço seja necessário para manter nossa postura preferida. Um meio-lótus (isto é, com apenas um pé sobre a coxa oposta) não é recomendado, já que é desbalanceado. Continue Reading »
Mar
15
2008
por Ann Lovelock
É usual, durante retiros de meditação, haver períodos alternados de práticas sentada e andando. Isto permite ao praticante manter a concentração e, ao mesmo tempo, alongar as pernas e afrouxar as tensões corporais criadas durante a prática sentada. Visto que as instruções não são tão detalhadas, a impressão que se tem às vezes é de que a meditação andando não é tão importante quanto a sentada, mas ela pode ser recompensadora. O objeto de meditação neste tipo de prática é a própria postura, assim como o movimento e o contato dos pés com o chão; a atenção é dirigida para os pés. Darei, então, algumas explicações sobre como desenvolver a prática, e falarei sobre a postura. Há três estágios: em pé, andando e voltando-se. Se a prática for feita em local fechado, é usual cruzar a sala de meditação e, então, dar meia volta. Se a prática for feita em lugar aberto, caberá decidir o ponto de onde você deverá voltar. Continue Reading »
Mar
14
2008
“O rápido e recente surgimento de interesse pelo Buddhismo, tanto no Ocidente quanto no Oriente, foi marcado por uma orientação prática vigorosa e um impulso para descobrir a paz e a liberdade para as quais a prática do Dhamma leva. Esse grande entusiasmo pela prática foi, entretanto, freqüentemente acompanhado por uma outra característica que pode não ser tão frutífera, quer dizer, uma tendência a negligenciar, ou até mesmo menosprezar, o estudo metódico dos…”
Leia o artigo completo do Bhikkhu Bodhi falando sobre o papel do estudo na tradição buddhista Theravada na seção de autores monásticos da Sala de Estudos.
Mar
13
2008
“O remédio que o Buddha prescreveu como a cura para o sofrimento humano foi a prática. Para nós, tomar refúgio no Iluminado significa aceitarmos sua orientação como remédio a ser utilizado em nossas vidas diárias. Participar de um retiro de meditação é uma oportunidade ideal para aprender como colocar o ensinamento em uso. Nesse contexto, a prática inclui a disciplina moral (sila), a disciplina mental da concentração (samadhi) e a sabedoria (pañña) ou purificação da mente.
Em nossa tradição, a prática da moralidade para um praticante laico envolve a tomada dos cinco preceitos. Em outras palavras, toma-se o treinamento em não prejudicar ou matar qualquer ser vivo; não roubar; não utilizar incorretamente os sentidos; não se expressar mentirosamente ou de formas a causar dano aos outros; e não fazer uso recreativo de bebidas e drogas intoxicantes. A moralidade tem a ver com qualquer coisa que fazemos ou dizemos. Esses cinco preceitos são violados em qualquer momento em que causamos dano ou infelicidade seja a nós mesmos ou a outros seres vivos”.
Venerável Rewata Dhamma Sayadaw